A BOLHA COLETIVA DE MICHAEL JACKSON
Fabrício Carpinejar
Esqueci de contar quantas vezes ralei o joelho descendo ladeira de bicicleta ou jogando futebol ou brincando de Flash Gordon entre materiais de construção. Recordo claramente que levei 35 pontos na cabeça, resultado de cinco quedas. Os atendentes do pronto-socorro já me recebiam pelo nome. Escorregava em ladrilhos, batia a testa em quinas no pega-pega, lançava o corpo na corda do varal esperando atingir o outro lado… Fui uma peste, misto de azarado e distraído.
Apesar dos acidentes, minha mãe não me colocava de castigo. Não me proibia a infância. Orientava apenas que tomasse cuidado. Não era nem intolerante, muito menos condescendente. Um gesto que traduzo como firmeza de carinho.
Diverso da minha criação, meu filho de seis anos ainda não correu atrás de um galo, não duvido que fuja de um pavão, é desconfiado com os cachorros, pedirá licença para subir no telhado, não promoverá guerra de frutas, tampouco arremessará bexiguinha nos passantes, que voltarão menos irritados para suas casas. Está preso a um apartamento e a um entendimento virtual do que existe e do que não existe. Conhece a natureza por ouvir falar, por ler, por assistir, por espiar de longe no zoológico, com as muradas de proteção.
Ele mal reclama um ai, que estou o amparando. Não o permito chorar. Não o deixo penar. Quero substituí-lo para que não sofra nenhum arranhão. Sou seu dublê emocional. É amor, eu sei, entretanto, um amor que não permite que cresça sem mim. Não o ajudo a criar resistência. Uma intimidade que o fragiliza, que não o inspira a responder por sua conta e se responsabilizar pela pergunta. Tenho que estar perto, não no lugar dele.
O protecionismo gera crianças sem anticorpos sociais. Sem reação. Teoricamente preparadas para preservar o ambiente, tecnicamente incapazes de discernir o que é necessário ou não, o que comove ou não, o que é bom ou ruim. O que adianta uma pele sem cicatrizes numa alma apavorada?
Com o pretexto verídico da violência, dos assaltos e dos seqüestros, subtraímos o envolvimento com os vizinhos e o mundo. O corredor do prédio tornou-se o meio da rua.
Meu filho não pode tomar banho de chuva porque irá se gripar. Mas é na chuva que provará o milagre da água. Meu filho não pode se sujar numa festa de aniversário porque estragará sua roupa nova. Mas é na lama que alcançará a cumplicidade da aventura. Meu filho não poderá mexer no fogão porque é certo que vai se queimar (quando eu cozinhava desde os dez anos para ajudar a mãe no serviço). Meu filho terá que ir a um psicólogo para resolver sua falta de concentração na escola. Os pais usam os filhos para cumprirem seus tratamentos por tabela.
Como propor um cuidado com as árvores se não explico o que é uma pitangueira, um flamboyant, uma figueira? Como se aproximar dos passarinhos se não nomeio um pardal ou um sabiá? Como ensinar ecologia aos filhos transmitindo o medo do contato, o medo do convívio? Medo de experimentar. Medo de machucar e sarar, de dar a volta por cima.
Isolamos os pequenos dos perigos para que eles não corram riscos nenhum. Coletivizamos a bolha do Michael Jackson. Sem o mínimo de vulnerabilidade, não descobrem seus próprios limites. Acham tudo possível. Prevenindo o pior, eliminamos o que há de mais notável na vida: a espontaneidade. A possibilidade terapêutica de simplesmente dizer diante de uma ferida que “não foi nada”, e soprar um arranhão.
Publicado na minha coluna “Primeiras Intenções”
Revista Crescer, São Paulo, Número 178, Setembro de 2008 - Fonte: http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br
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VORACIDADE
Estávamos num cinema nos Estados Unidos. Na nossa frente sentou-se um americano imenso decidido a não passar fome antes do filme acabar. Trouxera do saguão um balde - literalmente um balde - de pipocas, sobre as quais eles derramam um líquido amarelo que pode até ser manteiga, e um pacote de M&M, uma espécie de pastilha envolta em chocolate. Intercalava pipocas, pastilhas de chocolate e goles da sua small Coke, que era gigantesca, e parecia feliz. Fiquei pensando em como tudo naquela sociedade é feito para saciar apetites infantis, que se caracterizam por serem simples mas vorazes. As nossas poltronas eram ótimas, a projeção do filme era perfeita, o filme era um exemplar impecável de engenhosidade técnica e agradável imbecilidade. Essa competência é o melhor subproduto da voracidade americana por prazeres simples. O que atrai nos Estados Unidos é justamente a oportunidade se sermos infantis sem parecermos débeis mentais, ou pelo menos sem destoarmos da mentalidade à nossa volta, e de termos ao nosso alcance a realização de todos os nossos sonhos de criança, quando ninguém tinha senso crítico ou remorso.
Mas o infantilismo dominante tem seu lado assustador. Nenhum carro de polícia ou de socorro do mundo é tão espalhafatoso quanto os americanos. Numa sociedade de brinquedos carros, quanto mais luzes e sirenas mais divertido, mas o espalhafatoso também parece criar uma necessidade infantil de catástrofes cada vez maiores. O caminho natural do apetite sem restrições é para o caldeirão de pipocas para a Mega Coke e para a chacina. Existe realização infantil mais atraente do que poder entrar numa loja e comprar não um brinquedo igualzinho a uma arma de verdade, mas a própria arma? Nos Estados Unidos pode. De vez em quando uma daquelas crianças resolve sair matando todo mundo, como no cinema, mas a maioria dos que compram as armas e as munições só quer ter os brinquedos em casa.
Vivemos nas bordas dessa voracidade ao mesmo tempo ingênua e terrível, mas ela não parece entrar nas nossas equações econômicas ou no cálculo dos nossos interesses. Somos cada vez mais fascinados e menos críticos diante do grande apetite americano e de um projeto de hegemonia chauvinista e prepotente como sempre, agora camuflado pelos mitos da “globalização”. Quando a prudência ensina que se deve olhar os americanos do ponto de vista das pipocas.
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1984 X BBB
Dia de Corpus Christi: eucaristia ou sacro canibalismo simbólico?
Quando era pequeno, antes de fazer a primeira comunhão, sim meus amigos eu fiz, imaginava que a hóstia teria gosto de carne, por essa razão excitei muito em fazer a catequese, pois comer parte do corpo de alguém, no caso o próprio Cristo, não era muito convidativo. Assim, neste feriado Corpus Christi, escreve esse curupira de montanha, ex-canibal simbólico e atualmente fazendo de tudo para deixar de ser carnívoro.
É claro que o tema da eucaristia, que os católicos celebram hoje, já foi muito glosado como sendo uma forma de canibalismo simbólico. Convém dizer que, de um ponto de vista antropológico, todo o canibalismo é simbólico, quer se ingira carne ou algo que a represente. O que importa é a noção de comunhão, de absorção das qualidades daquele(a) que se ingere e que passa a ser parte de quem ingere: uma divindade, um antepassado, algo que é normalmente tabu e só deixa de ser em circunstâncias cerimoniais específicas, representantes de grupos rivais, etc. Muitos protestantes apodaram a eucaristia de canibalismo. Os católicos dizem que não é tal coisa. Tanto uns como outros debatem este assunto porque a noção de “canibalismo” ganhou, na sua cultura comum (a Ocidental), o significado de coisa própria de bárbaros e selvagens - todos aqueles primitivos que precisavam ser evangelizados. Isto é, que precisavam abandonar a sua forma de canibalismo.
Para saber mais, há um número da Annual Review of Anthropology dedicado ao canibalismo.
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Rompendo Paradigmas - parte 1.
“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra”. Gênesis (1:26 a 28).
De todas as criaturas que existiram, o homem é a mais moderna, ocupando um exíguo espaço de tempo na linha da evolução das espécies. E nesse curto espaço de tempo conseguiu causar tantos estragos que mais parece um vírus que infectou o planeta. E para um vírus só há duas saídas, ou destrói o hospedeiro e morre junto com ele, ou acaba sendo eliminado pelo sistema imunológico deste hospedeiro. É assim que funciona, não há outra saída. A menos que esse vírus resolva mudar seu destino e transformar-se em um ser simbionte, e assim coexistir em harmonia com o planeta como fizeram todas as criaturas que viveram ao longo da existência da vida na Terra.
Gardel Silveira, curupira de montanha.
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Para ler e refletir.
Texto copiado do blog do Luis Carlos Azenha (www.viomundo.com.br) - Atualizado em 07 de maio de 2008 às 15:54 | Publicado em 07 de maio de 2008 às 15:45 - De: Ney Gastal (jornalista ambientalista) Para: Amyra El Khalili (ambientalista)
Amyra e a quem mais interessar.
Com o fastio e o pessimismo de quem há anos escreve textos neste tom, quero apenas acrescentar um comentário:
Não creio que haja solução.
Mais.
Não creio que haja porque haver solução.
Todas as espécies tem seu tempo.
Os dinossauros sobreviveram em paz com a terra por milhões de anos.
O homem preferiu domá-la, transformá-la, subordiná-la, destruí-la.
Foi a mais forte espécie que já passou pelo planeta - até onde se saiba - e fez uso desta força para envenenar tudo.
Vai ser uma das mais rapidamente extintas (e levando outras de roldão) que já passou pelo planeta.
É lógico o processo do planeta - de Gaia, se quiserem - para se desintoxicar.
A febre existe para combater agressões ao nosso corpo.
O planeta está com febre (e não me refiro necessariamente ao aquecimento global) para nos combater.
Porque luta para sobreviver e poder continuar abrigando formas de vida menos agressivas.
E nós o agredimos.
Em meus momentos mais otimistas, também gosto de imaginar soluções.
Mas elas não passam por ajustes e sim por uma mudança conceitual tão grande que me parece impossível.
Acreditei muito no conceito das ONGs enquanto elas eram exatamente isto, ONGs.
Organizações Não Governamentais.
Infelizmente, ao mesmo tempo que algumas poucas tentaram mudar as coisas através da mudança de mentalidades, outras tantas aderiram ao “projetismo”.
É projeto pra cá, é projeto pra lá, e projeto, se sabe, precisa de financiamento.
Então começou a rolar dinheiro, primeiro de grandes empresas “conscientizadas”, depois dos grandes governos e por fim de todo mundo.
No Brasil chegou-se a cúmulo de criar as tais OSCIPs, que em última instância são um jeito do governo privatizar tudo o que dá trabalho.
Em um país “oscipizado”, o governo se livra das áreas de cultura, meio-ambiente, destas “frescuras”, e as repassa à sociedade.
Se exime. Lava as mãos. Cai fora.
E os idealistas da sociedade (geralmente os mais moços, como sempre) alegremente acreditam que isto é um avanço e botam mãos à obra.
Pouco tempo depois ou estão desiludidos ou foram cooptados.
E a conseqüência disto é que as OSCIPs serão a ponte para a privatização das coisas que mais caracterizam uma nação enquanto tal:
O meio ambiente onde ela existe e sua cultura.
Duas coisas que devem ser de obrigação do Estado cuidar e proteger, e que estão sendo lentamente privatizadas.
Sou presidente de uma ONG que ano que vem vai fazer 20 anos e que já foi muito ativa.
NUNCA pedimos nem aceitamos um único centavo de qualquer governo, mesmo quando oferecido.
NUNCA. Um único.
Trabalhamos muito tempo na área de unidades de conservação, mas NUNCA pretendemos substituir, complementar ou fazer parte dos órgãos oficiais.
Nos limitamos a auxiliar sua atividade no que fosse possível, sempre subordinados aos administradores locais.
Brigando quando necessário, é claro, mas geralmente em brigas que reforçavam as chefias locais contra as burrocracias centrais.
Cansamos.
E, aos poucos, fomos percebendo que quando um assunto é comandado à distância por gente, concursada ou não, que não conhece a realidade, o fracasso é inevitável.
O Brasil e o mundo, atualmente, são governados e manipulados a partir de centros de poder que desconhecem ou, pior, querem ignorar a realidade.
Os interesses das capitais e/ou matrizes do poder estão completamente dissociados dos interesses das pessoas que fazem a sociedade.
Mas mesmo estas, em grande parte, querem mesmo é participar dos confortos do poder.
Por isso acontece o que se vê, quando alguém “chega lá”: sucumbe.
Se adapta.
Se ajusta.
Cala.
Mas o planeta não quer nem saber.
Por isso, o caminho do fim (deste ciclo de vida, da dominação humana, sei lá de que) me parece inevitável.
Esta história de que o “social” deve prevalecer ao individual é puro blefe.
O individualismo altruísta seria o único caminho pelo qual a Humanidade poderia ser salvo.
Um tipo de individualismo onde as pessoas não se importariam nem tanto consigo próprias, nem tanto com o “social”.
Um tipo de individualismo onde todos se preocupariam com os outros indivíduos enquanto tal, e não como massa.
Um jeito de viver onde todos tivessem rosto, personalidade.
Onde o menininho que pede esmolas na sinaleira mereceria, sim, ajuda de cada um de nós e não que fosse deixado a cargo do governo porque é um “problema social”.
Não existe problema social.
Existem problemas individuais, de milhões de pessoas, de bilhões de indivíduos.
Quem se preocupa com indivíduos pode, sim, vir a mudar de atitude frente a tudo.
Quem só se precupa com o “social”, com a “coletividade”, com os “consumidores” ou os “eleitores”, não vê pessoas nestes grupos, só massa de manobra.
E estes - que formam a grande maioria - não estão nem aí para o que está acontecendo ao planeta.
Porque vivem apenas para o presente, para o poder, para o lucro, para si em nome de todos.
É isto que está nos conduzindo ao fim.
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HOMO SAPIEN DEMENS
O homem moderno, a mais brilhante das criaturas se diferencia dos outros animais pelo orgulhoso e multifuncional polegar opositor. É também conhecido no meio acadêmico como Homo sapien sapiens. Perceberam o termo sapien sapiens repetido duas vezes? Isso é para lembrar que somos duplamente sábios. Coitados… são apenas macacos. Macacos cujos cérebros evoluíram para um tamanho tão ingovernável que agora é impossível para eles ficarem felizes por muito tempo. Na verdade, eles são os únicos animais que pensam que deveriam ser felizes. E para atingir esta felicidade vale tudo, Prozac, álcool, dinheiro, lucro, roupas de marcas famosas, jóias, religiões dogmáticas, gula, tv de tela plana, drogas, segregação racial, violência, poder, Lei de Gerson, carro zero, a mulher do vizinho… mas são apenas macacos que deixaram de ser macacos felizes e tornaram-se Homo sapien demens e muito infelizes.
Gardel, curupira do sítio.
Aqui vai dois vídeos que ajudam a ilustrar um pouco o texto acima.
Dancem macacos, dancem: um divertido filme que faz uma análise da raça humana.
Ilha das Flores (parte 01): um ácido e divertido retrato da mecânica da sociedade de consumo. Acompanhando a trajetória de um simples tomate, desde a plantação até ser jogado fora, o curta escancara o processo de geração de riqueza e as desigualdades que surgem no meio do caminho. Documentário de Jorge Furtado.
Ilha das Flores (parte 02)
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Rompendo Paradigmas - parte 2.
(Recebi este texto de José Vítor, um velho e sábio amigo).
Laura Schlessinger, nascida no Brooklyn, em Nova York, é uma das radialistas mais populares dos Estados Unidos. O seu programa de rádio, de aconselhamento sobre problemas individuais e familiares, tem uma audiência diária de 20 milhões de ouvintes. O sucesso no rádio levou-a também ao sucesso na literatura. Seus livros vendem milhões de exemplares. Num de seus programas um ouvinte indagou-lhe sobre a questão da homossexualidade, e ela sem hesitar respondeu que era uma abominação, pois assim a Bíblia o afirma no livro de Levítico 18:22.
Um outro ouvinte escreveu-lhe então, uma carta que ora transcrevo:
“Querida Dra. Laura: Muito obrigado por se esforçar tanto para educar as pessoas segunda a Lei de Deus. Eu mesmo tenho aprendido muito no seu programa de rádio e desejo compartilhar meus conhecimentos com o maior número de pessoas possível. Por exemplo, quando alguém se põe a defender o estilo homossexual de vida eu me limito a lembrar-lhe que o livro de Levítico, no capítulo 18, verso 22, estabelece claramente que a homossexualidade é uma abominação. E ponto final. Mas, de qualquer forma, necessito de alguns conselhos adicionais de sua parte a respeito de outras leis bíblicas concretamente e sobre a forma de cumpri-las:
A) Gostaria de vender minha filha como escrava, tal como o indica o livro de Êxodo, 21:7. Nos tempos em que vivemos, na sua opinião, qual seria o preço adequado?
B) O livro do Levítico, 25:44, estabelece que posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, desde que sejam adquiridos de países vizinhos. Um amigo afirma que isso só se aplica aos mexicanos, mas não aos canadenses. Será que a senhora poderia esclarecer esse ponto? Porque não posso possuir escravos canadenses?
C) Sei que não estou autorizado a ter qualquer contato com mulher alguma no seu período de impureza menstrual (Levícito 18:19, 20:18, etc.). O problema que se coloca é o seguinte: como posso saber se as mulheres estão menstruadas ou não? Tenho tentado perguntar-lhes, mas muitas mulheres são tímidas e outras se sentem ofendidas.
D) Tenho um vizinho que insiste em trabalhar no sábado. O livro de Êxodo, 35:2, claramente estabelece que quem trabalha aos sábados deve receber a pena de morte. Isso quer dizer que eu, pessoalmente sou obrigado a matá-lo? Será que a senhora poderia, de alguma maneira, aliviar-me dessa obrigação aborrecida?
E) No livro do Levítico, 21:18 - 21, está estabelecido que uma pessoa não pode se aproximar de Deus se tiver algum defeito na vista. Preciso confessar que eu preciso de óculos para ver. Minha acuidade visual tem de ser 100% para que eu me aproxime do altar de Deus? Será que se pode abrandar um pouco essa exigência?
F) A maioria dos meus amigos homens tem o cabelo bem cortado, muito embora isto esteja claramente proibido no Levítico, 19:27. Como é que eles devem morrer?
G) Eu sei, graças ao Levítico, 11:6-8. que quem tocar a pele de um porco morto fica impuro. Acontece que eu jogo futebol americano, cujas bolas são feitas com pele de porco. Será que me será permitido continuar a jogar futebol americano se eu usar luvas?
H) Meu tio tem uma granja. Ele deixa de cumprir o que diz o Levítico 19:19. pois planta dois tipos diferentes de sementes no mesmo campo e também deixa de cumprir no que diz respeito à sua mulher, que usa roupas de dois tecidos diferentes, a saber, algodão e poliéster. Além disso, ele passa o dia proferindo blasfêmias e se maldizendo. Será que é necessário levar a cabo o complicado procedimento de reunir todas as pessoas da vila para apedrejá-lo? Não poderíamos adotar um procedimento mais simples, qual seja, o de queimá-lo numa reunião privada, como se faz com um homem que dorme com a sua sogra, ou uma mulher que dorme com o seu sogro (Levítico 20:14)?
Sei que a senhora estudou estes assuntos com grande profundidade de forma que confio plenamente na sua ajuda. Obrigado novamente por recordar-nos que a palavra de Deus é eterna e imutável.”
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