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Zona zero e zona um

Zona zero, a casa do curupira

Nosso lar é extremamente simples e otimizado, é composto por sala/cozinha, um quarto, banheiro, lavanderia, garagem e galpão para ferramentas. Foi todo construído com madeira de reflorestamento (eucalipto), inclusive aberturas e forro. Toda água que cai no telhado segue direto para o açude. A água que consumimos vem direto de uma nascente, as águas cinzas vão para o círculo de bananeiras e as águas negras seguem para a fossa/sumidouro.  

A zona um

É o espaço central e de máxima dedicação (no que se refere a aplicação de energias e expectativas pessoais). Este espaço deve garantir a maximização da qualidade de vida, para logo estruturar o espaços integrais (zonas 2,3,4 e 5), para o desenvolvimento familiar. Entre as principais atividades que desenvolvemos na Zona 01 está o cultivo de hortaliças, vinhas, frutíferas de pequeno porte, círculo de bananeiras, composteira, minhocário, viveiro de mudas, cultivo de cogumelos e biodigestor. 

Criação de minhocas para produção de húmus

A minhocultura é usada como um estrutura de apoio dentro da propriedade rural, através da produção de húmus para hortaliças e/ou recuperação de áreas degradadas. A escolha do local para instalação do minhocário deve ser de preferência em áreas planas, evitando baixadas devido ao encharcamento. O tamanho deve ser proporcional às necessidades e ampliações futuras, próximo de água e da matéria prima (esterco, resíduos orgânicos e restos culturais). 

Esta proximidade visa facilitar e racionalizar o uso tanto do seu produto (húmus), como o seu abastecimento (esterco e água). A construção dos canteiros de criação deve ter medidas internas de 1 metro de largura por 40 centímetros de altura e comprimento variável, as paredes do canteiro podem ser construídos de materiais diversos e os mais simples possível: bambu ,blocos de cimento, tijolos, tábuas, placas, etc.

Biodigestor para fazer caldas e biofertilizantes folhares.

Estufa plástica  

Pequena área coberta com plástico transparente para passagem de luz e proteção das mudinhas de hortaliças contra chuva forte. Localiza-se ao lado do minhocário junto ao viveiro de mudas maiores. Serve também para proteger da chuva a mini-estufa para cultivo de cogumelos (foto abaixo).

Foto abaixo viveiro de mudas de frutíferas e nativas coberto com sombrite. 

O círculo de bananeiras

A técnica do círculo de bananeiras surgiu da observação dos efeitos dos fortes ventos sobre a cultura dos cocos. Numa clareira os coqueiros caídos davam origem a círculos de coqueiros que nasciam, se desenvolviam e produziam melhor do que quando sós. O padrão natural observado foi que no centro do círculo se depositavam folhas, ramos, frutos, etc, que retinham a umidade e concentravam nutrientes, beneficiando a cultura dos coqueiros. Dessa observação, passou-se em seguida às experiências com outras culturas, como a da banana. No caso das bananeiras percebeu-se que elas, como outras plantas de folhas largas como o mamoeiro, evaporavam grandes quantidades de água e estabeleceu-se assim uma relação com as águas cinzas das residências. Essa ligação é feita entre a necessidade de se tratar a águas que saem das pias e chuveiros das residências com a grande capacidade de evaporar (tratar) dos círculos de bananeiras. E isso é uma das bases do design na permacultura, estabelecer relações positivas, sinérgicas entre os elementos de um sistema vivo.

Como construir?

O trabalho começa com a construção de um buraco, em forma de concha, com 1 m cúbico de volume. Lembre-se que a terra retirada do buraco é colocada na borda aumentando a altura do buraco.

 

Os sistemas vivos não seguem projetos no papel. Então mais importante do que seguir as dimensões apresentadas aqui, é procurar observar no local, o solo, a insolação, incidência de geadas, etc. para dedinir melhor como será o círculo de bananeiras de sua residência.

O buraco, depois de pronto, deve ser enchido com madeira e palha para criar um ambiente adequado para o recebimento da água cinza e para beneficiar a micro vida. Isso é feito primeiro colocando pequenos troncos de madeira grossos no fundo.

Em seguida galhos médios e finos de árvores e por último a palha (aparas de capim, folhas, etc.) formando um monte com quase 1 metro de altura acima da borda do buraco.

A madeira deve ser colocada de forma desarrumada, para que que se crie espaços para a água. A palha em cima serve para impedir a entrada da luz e da água da chuva, que escorrerá para os lados não inundando o buraco e não se contaminando com a água cinza.

A água cinza deve ser conduzida por um tubo até o buraco e com um joelho na ponta para evitar o entupimento. Não usar valas abertas para a condução da água, assim mosquitos e outros animais indesejados não terão como se desenvolver. E os microorganismos da compostagem terão um ambiente perfeito para fazer o seu trabalho.

Plantio
As bananeiras podem ser plantadas de diversas maneiras. Msa eu prefiro usar o rizoma inteiro ou uma cunha (parte de um rizoma) com uma gema vizível. Após fazer as covas (no mínimo 30×30×30 cm) deve-se enche-las com bastante matéria orgânica (palhas, folhas, etc.) misturada com terra.

Antes de preencher totalmente o buraco, na hora de colocar o rizoma, posicione para que a gema fique para o lado de fora do círculo e inclinado de forma que a bananeira nasça caída para fora. Essa inclinação da bananeira é mais fácil de ser conseguida quando plantada a partir de rebentos.

Isso facilitará a colheita e o manejo das bananeiras. O rizoma deve ficar há uns 10 cm, em média, abaixo do nível do solo.Ao redor do círculo, também é indicado o plantio de mais plantas de folha larga como a taioba, o mamoeiro e entre elas batata doce ou outra plantas rasteiras para cobrir todo o espaço. Em pouco tempo o círculo irá se transformar em um nicho de fertilidade que vai se espalhar pelo entorno.  

Cuidados

A água cinza NÃO deve conter água preta dos sanitários. Estas deveriam ir para outros sistemas apropriados para o seu tratamento. E nas pias e chuveiros deve-se evitar o uso de detergentes químicos e outras substâncias tóxicas como cloro, etc., pois estas substâncias matam os microorganismos e impedem a compostagem dos nutrientes contidos na água cinza com a madeira. Mais informações sobre a separação das águas servidas podem ser encontradas em “sistematização da água”. Se o volume de água cinza produzido na casa for maior do que a capacidade de recebimento do círculo, a melhor solução é construir outro círculo interligando ao primeiro. A água cinza entra por cima no primeiro e sai no nível máximo por meio de outro tubo e segue para o segundo círculo. Conforme a situação pode-se ter uma bateria de círculos inteligados. 

Manejo
Sempre colocar aparas de poda (grama, capim, galhos) no centro para alimentar o círculo e evitar que o buraco seja inundado com a água da chuva.
Após colher o cacho de bananas, deve-se cortar a bananeira bem na base e em pedaços de 1 metro, rachar ao meio (longitudinal) e também colocar no centro do círculo. A cada 3 anos (ou mais) todo o material depositado no buraco pode ser retirado (quando os troncos se dissolverem) e usar como adubo orgânico na horta. E repor novo material como no início da implantação do círculo. Fonte do texto e desenho de construção do círculo:www.setelombas.com.br – Fotos: Sítio Curupira

 

21 respostas para Zona zero e zona um

  1. Silvia

    fevereiro 15, 2010 at 3:29 pm

    Gardel, vocês cortam o umbigo da bananeira? Se positivo, gostaria que me orientasse como fazê-lo, qual a época, e como cortar. Obrigada!

     
    • sitiocurupira

      fevereiro 16, 2010 at 11:50 am

      Olá Silvia, tudo bem?
      Cortamos sim o umbigo ou coração da bananeira logo que é feita a polinização e que os frutos já estejam formados. Para saber com certeza da época certa para cortar o umbigo, deixe que cresça um espaço de mais ou menos um palmo entre o umbigo e o inicio do cacho formado. O corte pode ser feito bem próximo ao umbigo. Com o corte do umbigo a banana cresce de 5 a 10% a mais de seu tamanho, fica mais grossa. Você pode aproveitar o miolo do umbigo depois de cortado e usá-lo em várias receitas, é só pesquisar no google.

       
  2. Silvia - BH

    fevereiro 16, 2010 at 2:10 pm

    Muito obrigada, Gardel. Deu-me as indicações que procurava. As receitas com umbigo de banana, aqui em Minas, não são dificieis de encontrar. O mais famoso chef por exemplo prepara uma polenta com umbigo de banana ao lado como acomplanhamento para aves A primeira vez que provei foi como recheio de pastel de angu. Inesquecível. Pra quem quer saber, lembra um pouco a gariroba, levemente amargo. O preparo é um pouco trabalhoso para tirar o amargor mas vale a pena.

     
  3. sergio tavares

    agosto 12, 2010 at 12:50 am

    gostei do projeto e gostaria de receber maiores informações sobre o assunto

     
  4. sérgio Fôro

    agosto 25, 2010 at 10:04 pm

    oi gosto muito do trabalho..queria saber se vc pode me mandar mais material….quero estudar mais sobre o assunto…sou professor….e quero repassar essas idéias…

     
    • sitiocurupira

      agosto 27, 2010 at 2:19 pm

      Olá Sérgio.
      As informações que disponho estão publicadas neste site. Caso queira mais informações de outras experiências com permacultura sugiro que acesse o site da rede Permear http://www.permear.org.br/ e visite as outras estações de permacultura.
      Att. Gardel

       
  5. Annaiza

    agosto 26, 2010 at 8:08 am

    Seu site veio como uma bençao em minha vida! Que deus lhe ilumine sempre!

     
  6. lais

    setembro 15, 2010 at 10:55 pm

    Que legal minha professora que mandou eu ver um minhocario, eu nao me arrenpenti!!!

     
  7. Garcia

    setembro 24, 2010 at 11:02 am

    Bom dia, estou pesquisando uma alternativa para tratar a água do refeitório da empresa que trabalho e gostei do sistema utilizado por vcs.
    Queria receber mais informações sobre o assunto.

    Atenciosamente.

    Eng. Ambiental Garcia

     
    • sitiocurupira

      setembro 26, 2010 at 8:27 pm

      Olá Garcia.
      Sugiro que visite a infoteca da página da Rede Permear e baixe as informações sobre tratamento da água. Veja na página http://www.permear.org.br/infoteca/
      Att. Gardel

       
  8. Iurutaí B.N.A. Puertas

    janeiro 2, 2011 at 1:45 pm

    Sr. Gardel e família

    Primeiramente gostaria de cumprimentá-los, não só pelo trabalho no sítio, como também pela divulgação detalhada das técnicas utilizadas; em seguida peço-lhes, se for possível, que dêem mais informações sobre a construção da miniestufa que aparece nas fotos, especialmente quanto
    à fixação do filme plástico. Sou pequeno produtor no interior de Minas Gerais e, por questões familiares, estou sendo compelido a trocar uma área de 8 ha, na qual produzia arroz, milho, feijão e hortaliças e frutas orgãnicas, por uma área de 5000m2, e suas informações me tem ajudado bastante a encarar a nova realidade como possibilidade e não como perda.
    Novamente agradeço

    Iurutaí

     
    • sitiocurupira

      janeiro 4, 2011 at 7:52 am

      Olá Iurutaí.
      Vou ficar devendo o passo a passo para construção da mini-estufa, pois não disponho de fotografias de sua construção/montagem, mas pretendo fazê-lo qualquer hora destas. O cultivo em áreas pequenas ou terrenos suburbanos, exige muita paciência, criatividade e diversidade, se não viu ainda ai vai um link do vídeo da família Dervaes, de Pasadena, California e sua super produtiva horta caseira de 400 m², que no melhor ano chegou a produzir cerca de 2500 kg de alimentos, http://www.youtube.com/watch?v=PaOnCsgdPS0.
      Espero ter ajudado, Gardel.

       
      • Iurutaí B.N.A. Puertas

        janeiro 4, 2011 at 12:29 pm

        Obrigado pela atenção e pela dica, vou tentar ver o vídeo, embora minha conexão seja quase à manivela, com um bocado de paciência acho que consigo.

        Um feliz 2011

        Iurutaí

         
  9. joao nilto moraes e maria

    abril 25, 2011 at 2:23 pm

    Eu e a Maria ja moramos num sitio em Porto Alegre, e queremos transformá-lo em uma pousada Rural, ja temos dois quartos de sacal em nossa propria casa para iniciarmos. Fazemos parte dos Caminhoa Rurais de Poa.
    Gostaria de saber se existe por aqui algém da Permacultura para maiores ensinamentos em nossa propriedade. Gostamos muito de ver como vocês trabalham aí. Gratos João e Maria ele 64 ela 59 ok.fone 51.99612395, E-mail joaodapraia@msn.com

     
    • Sítio Curupira

      abril 28, 2011 at 2:21 pm

      Olá João e Maria.
      Demorei para responder, pois estava esperando uma resposta de meu grupo de Permacultura, Rede Permear. Como você pode ver no mapa http://www.permear.org.br/mapa.html não temos nenhum integrante da rede no RS. Os poucos gaúchos que são permacultores, assim como eu, moram fora do estado. No entanto, deve haver outras organizações (Ongs ou institutos) que trabalham com permacultura ai no Rio Grande.
      Att. Gardel Silveira.

       
  10. josé eduardo filiolia

    agosto 16, 2011 at 9:46 pm

    Gardel,como sempre parabens pelo seu trabalho!quero acrescentar q se vc furar o coração da bananeira(antes do corte) aparando a seiva q gotejar com uma bandeja recoberta com fina camada de farinha de trigo branca terá eficientes pílulas anti-ácidas!

     
  11. tarcisio

    novembro 24, 2011 at 12:34 pm

    gostaria de saber o endereço do sitio curupira em brasilia. obrigado ! tarcisio

     
  12. PAULO MEDEIROS

    maio 9, 2012 at 3:22 pm

    Tenho um terreno na área urbana, e lá tem cupins de cabeça amarela.
    Tenho colocado as folhas que caem do quintal neste espaço, e percebo que eles se alimentam da celulose da folhas.
    A minha intensão e utilizar essa técnica que maravihosamente achei no site de voces, e pergunto;
    como posso eliminar estes insetos?
    Sou-lhes muito grato

    Paulo Medeiros

     
    • Sítio Curupira

      maio 15, 2012 at 9:57 am

      Olá Paulo.
      Se os cupins não estão fazendo estragos na estrutura da casa ou outras construções não vejo problemas em te-los no quintal, pois eles cumprem um papel importantíssimo para a transformação da celulose em alimentos para as plantas. Se mesmo assim quiser eliminar estes insetos uma galinha resolve o problema.

       
  13. PAULO MEDEIROS

    maio 15, 2012 at 6:10 pm

    Eles não prejudicam as raizes de algumas plantas?

    Muito agradecido.

    PAULO MEDEIROS

     

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