Adubação Verde

Os benefícios das plantas que melhoram o solo: elas adicionam nutrientes, protegem da erosão e reduzem a compactação.

No final de abril, as máquinas da Usina Costa Pinto, de Piracicaba, SP, tratavam de pôr abaixo uma extensa plantação que destoava, com suas flores amarelas, dos cana­viais em torno. Os arbustos, com cerca de 2,5 metros de altura, eram deitados ao chão e triturados. Nada era colhido, mas para a usina a crotalária plantada naqueles 1.500 hectares tinha cumpri­do sua função. De novembro a abril, meses de fortes chuvas na região, ela tinha garantido a cobertura do terre­no, protegendo-o, com seus galhos e raízes, da ameaça de erosão. O con­traste entre o terreno protegido pela planta e as áreas vizinhas que ficaram descobertas, onde a chuva fez seus es­tragos, tornava visível o trabalho efi­ciente da crotalária. Foto acima (Luiz Carlos e Rubens, com feijão-de-porco: para recuperar o solo).

Na mesma época, em São Roque, no cinturão verde de São Paulo, os produtores de hortaliças Luiz Carlos Trento e Rubens Gadelha prepara­vam-se para derrubar uma plantação de 2,5 hectares de milho e feijão-de­-porco. Mas não queriam colher nem espigas nem grãos. As plantas tinham sido semeadas como primeiro passo para melhorar o solo daquela área, muito degradado, preparando-o para receber uma lavoura de trigo no inver­no. Mesmo o milho foi plantado pelo benefício que pode trazer à terra: ele produz grande quantidade de massa verde, que pode ser incorporada, enri­quecendo o terreno. Já o feijão-de-­porco não só acrescenta matéria orgâ­nica com sua massa. Suas raízes traba­lham no subterrâneo, reduzindo a com­pactação do solo. Foto abaixo (Fernando Torre, com mucuna: adubo verde reduz gasto na irrigação).

Crotalária e feijão-de-porco são no­mes ainda pouco familiares para mui­tos agricultores brasileiros. Assim como o labe-labe, a mucuna anã, a ervilhaca, a aveia preta e as muitas outras integrantes da relação de plan­tas que são úteis menos pelas colheitas que dão do que pelo trabalho que exe­cutam no solo, melhorando-o. Conhe­cidas como adubos verdes, elas vêm tendo seus benefícios estudados há muito tempo, séculos atrás, em todo o mundo. Na maior parte, são da família das leguminosas, que têm em comum a virtude de retirar o nitrogênio do am­biente, através da ação de uma bacté­ria, o rizóbio, capaz de fixar esse elemento em nódulos formados na raiz da planta. Mas o elenco das plantas melhoradoras do solo não se restringe a uma família. Cabem nele gramíneas, como a aveia preta e o azevém, crucí­feras, como o nabo forrageiro, e ainda outras. (Veja no final desta matéria as fichas das plantas mais utilizadas na adubação verde.) 

A ênfase no uso dos adubos químicos fez com que, por muito tempo, a utilização desses recursos ficasse es­quecida no Brasil, tanto por agricultores como pela pesquisa. Um erro que muitos produtores senti­ram no bolso, quando a aplicação de doses reforçadas de fertilizantes dei­xou de se refletir nas colheitas. Foto acima (Mucuna anã no meio do milharal: casamento sem concorrência). Entu­siasmados com as respostas rápidas obtidas com a adubação química, es­queceram que o crescimento das plan­tas depende também da estrutura físi­ca do solo e da atividade biológica nele existente. “O crescimento vegetal de­pende de três fatores essenciais – as propriedades químicas, físicas e bioló­gicas do solo – e é o mais limitado deles que vai determinar o resultado final”, afirma Shiro Miyasaka, pesqui­sador aposentado do IAC – Instituto Agronômico de Campinas, onde por muitos anos estudou a adubação ver­de, e consultor da Associação Mokiti Okada, em São Paulo. Ao contrário dos fertilizantes químicos, a adubação verde representa benefício nas três frentes ao mesmo tempo. Não faz só o papel do adubo, fornecendo nutrien­tes: melhora também a textura do solo e intensifica a vida biológica em torno das raízes. Além de manter o solo sem­pre coberto, protegendo da erosão e da infestação das ervas invasoras. Foto abaixo (Miyasaka com guandu: melhora química, física e biológica do solo).

As raízes de plantas como o guandu e o feijão-de-porco fazem uma eficiente guerra subterrânea contra a compacta­ção do solo. Em apenas três meses, a raiz do guandu chega a 3 metros de profun­didade, rompendo no caminho as cama­das compactadas, afirma Miyasaka. Quando a planta morre, os furos abertos pelas raízes tornam-se poros para levar oxigênio a camadas mais profundas. A massa verde das plantas, deixada no solo como cobertura morta ou incorpo­rada, ajuda a manter a umidade e a amenizar a temperatura do solo. A relação dos benefícios dos adubos verdes vai mais longe. Seu cultivo man­tém no solo, em torno de suas raízes, uma população numerosa de microor­ganismos ativíssimos na busca de ali­mentos, o que acaba contribuindo para a assimilação de nutrientes pela plan­ta. Algumas espécies, como a mucuna anã, a ervilha forrageira e a crotalária, se destacam pela rapidez com que cres­cem e dominam o terreno, impedindo o florescimento de ervas invasoras. Outras combatem a infestação de plan­tas daninhas com suas propriedades alelopáticas, exercendo uma espécie de inibição química sobre o avanço de invasoras. O feijão-de-porco e a mucu­na, por exemplo, afastam o perigo da tiririca, e onde há o azevém não cresce a guanxuma. Já o guandu tem uma qualidade valiosa: ele libera ácidos pis­cídicos, capazes de tornar solúvel, e aproveitável pelas plantas, o fósforo existente no solo que, em condições normais, as raízes não conseguem ab­sorver. Além desses benefícios para a terra, quase todos os adubos verdes podem ser usados na alimentação de animais, bovinos principalmente.

Os que conhecem as virtudes dessas plantas usam geralmente o inverno, quando há menos alternativas de ex­ploração de lavouras comerciais, para semeá-Ias. “Em vez de deixar a terra desocupada no inverno, é muito me­lhor deixar a natureza fazer seu bom trabalho”, afirma Miyasaka. Há oito anos, Fernando Torre, produtor de hortaliças em Ibiúna, no cinturão verde de São Paulo, reserva a cada inver­no uma área entre os canteiros de ver­duras para a adubação verde. Por anos seguidos plantou a aveia preta, que neste inverno substituiu pela ervilha­ca. Extremamente atento à qualidade do solo, notou, com o passar do tempo, a diferença entre a área onde fazia a rotação de culturas e plantava a aveia e outra, arrendada, ocupada ininter­ruptamente pelas verduras. “Onde houve a incorporação da aveia passei a usar menos água na irrigação e a gastar cerca da metade do adubo aplicado na outra área”, afirma. Foto abaixo (Área desocupada da Usina Costa Pinto: sem cobertura, o risco da erosão).

Ervilhaca e aveia preta, adubos ver­des muito utilizados no inverno no Sul do país, não agüentam, porém, as tem­peraturas altas de regiões como o inte­rior de São Paulo, os cerrados mineiro e goiano. Onde o inverno é quente é preciso recorrer a outras plantas, apro­priadas para o clima tropical. Uma boa solução para utilizá-Ias, segundo Miya­saka, é plantá-Ias quase no fim do ve­rão, no meio da cultura comercial, prin­cipalmente se for o milho. A mucuna preta, o labe-labe e o guandu, por exem­plo, podem ser plantados em feverei­ro, quando o milharal está em fase de florescimento. As plantas crescem de­vagar até a colheita do milho, e depois ocupam o terreno. Já estarão com raí­zes desenvolvidas em junho, quando as chuvas começam a escassear, e po­derão manter o solo coberto por todo o inverno até o novo plantio.

A adubação verde, porém, não é uma exclusividade do inverno. Como no verão o produtor dificilmente abre mão de ocupar toda sua área com as culturas comerciais, a solução pode ser a consorciação. Entre as leguminosas de clima tropical existem algumas apro­priadas para o plantio em conjunto com outras lavouras. A mucuna anã e o feijão-de-porco, por exemplo, po­dem ser plantados em outubro, nas entrelinhas do milharal, e desenvol­ver-se sem prejudicar a cultura comer­cial. A mucuna anã, que tem um cres­cimento menos agressivo que as espé­cies cinza e preta, se dá b m na compa­nhia de culturas variadas, seja o milho, verduras como alface e repolho e ou­tros hortigranjeiros como o tomate, e culturas perenes. Para todas é uma companheira exemplar: em vez de fa­zer concorrência, ajuda a outra a cres­cer e ainda melhora o terreno para a lavoura que virá depois.

Chapéu contra a erosão

A crotalária cresce rápido e protege o terreno

Seu nome tem relação com uma das mais perigosas e veneno­sas cobras, a cascavel, cuja de­nominação científica é Crota­lus terrificus. Quem batizou a crotalária achou o cacho de suas flores semelhante ao guizo da serpente. Ao’ contrário da cobra, porém, a planta tem uma longa história de bons serviços prestados ao homem. Originária da Ín­dia, há séculos ela é cultivada para a produção de fibras têxteis. Com esse fim foi introduzida no Brasil no início do século, e só mais recentemente uma I outra virtude sua passou a ser valoriza­da. Como outras plantas da família das leguminosas, ela enriquece com nitro­gênio o solo, melhora sua estrutura física e protege-o da ação da erosão e da invasão das ervas daninhas. Foto acima (A Crotalaria spectabilis, à frente, cresce menos que ajuncea, atrás).

Sob o nome crotalária coexistem diversas plantas diferentes. Crotala­ria, na definição dos cientistas, é um gênero, dentro do qual há várias espé­cies – juncea, spectabilis, micronata, paulina, entre outras -, muitas uti­lizadas como adubos verdes. A sur­preendente rapidez no crescimento fez que a Crotalaria juncea acabasse sen­ do a mais utilizada no Brasil. Até re­centemente, o maior incentivo a seu cultivo vinha da Companhia Industrial de Papel Pirahy, empresa do Grupo Souza Cruz, que utilizava suas fibras para fabricar papel de cigarro. Para apoiar os produtores, a empresa criou em 1973 em Piracicaba, SP, um centro de pesquisa e desenvolvimento de se­mentes. Em 1990, porém, a Pirahy deixou de lado a crotalária, depois de comprovar a vantagem econômica de utilizar o sisal como matéria-prima. Três agrônomos que trabalharam no centro, no entanto, não abandonaram a leguminosa. Fizeram da unidade de pesquisa uma empresa, a Sementes Piraí, e continuaram o trabalho, apos­tando no uso da planta como adubo e cobertura verde.

Entre as variadas alternativas da adu­bação verde, a Crotalaria juncea tem muitos pontos de destaque, segundo os sócios da Piraí. “Além de ter germina­ção e crescimento mais rápidos que ou­tras coberturas verdes, ainda fornece maior volume de massa, tanto verde como seca”, afirma o agrônomo José Donizeti Carlos, um dos sócios da em­presa. A Piraí produz sementes de outros adubos verdes, mas as da crotalária são o carro-chefe das vendas. Há com­pradores até no exterior, no Japão e nos Estados Unidos. Mas os maiores clien­tes da Piraí são as usinas de açúcar pró­ximas a Piracicaba. Naquela região, o solo tem uma camada de 30 centímetros de areia sobre argila. Como a topografia é ondulada, o terreno é muito prejudica­do com as chuvas, principalmente se, no ano de reforma do canavial, fica desco­berto no verão. Foto acima (Carlos: produção de sementes).

A Usina Costa Pinto, uma das maio­res da região, planta regularmente a crotalária. O agrônomo André Micotti da Glória, gerente de tratos culturais, explica que, de acordo com o crono­grama da usina, é preciso reformar a cada ano um quinto dos 25 mil hecta­res de canaviais. A capacidade de plan­tio da usina, porém, não dá conta de reformar toda a área antes do início das chuvas’. Nos 1.500 hectares que ficam descobertos é plantada, entre outubro e novembro, a crotalária.

A leguminosa é cultivada pelas usi­nas menos para aumentar a fertilidade do solo do que para preservá-lo da erosão. A função é mesmo cobrir o terreno, como um chapéu protetor. Pode parecer pouco, mas para a usina é o suficiente para justificar todos os gastos no ‘plantio. São cerca de 84 dó­lares por hectare no total, divididos entre a semeadura (24 dólares), mais 10 dólares nos herbicidas aplicados no pré-plantio e 50 dólares na compra de 25 quilos de semente. O resultado do investimento é visível no campo de 120 hectares de Charqueada, município vizinho a Piracicaba, em abril, depois que a massa densa formada pela planta é incorporada ao solo. Nas linhas ou “ruas” onde a crotalária não foi semea­da, o início do processo erosivo está à mostra, enquanto a área coberta man­tém preservada sua superfície.

Rotação dá bons frutos

Adubação no inverno ajuda lavoura de verão

Soja no verão, trigo no inver­no. A dobradinha que por longos anos dominou os cam­pos do oeste do Paraná per­deu força nos últimos anos. Os baixos preços do trigo levaram muitos produtores a desistir do plantio do cereal e, por falta de alternativas, uma extensa área começou o inverno desocupada. Para alguns, porém, a cri­se do trigo tornou-se uma oportunida­de para investir na rotação de culturas e na melhoria do solo, de olho na pró­xima safra de verão. Na Fazenda Espi­gão, no município de Terra Roxa, pOI: exemplo, o trigo foi mantido em uma área de apenas 170 hectares, em vez dos 630 da lavoura habitual. A maior área foi reservada para a aveia e outras plantas destinadas à adubação verde, à ervilhaca e à ervilha forrageira. Foto acima (Crotalária, triturada e incorporada ao solo: nutrientes e cobertura).

Com essas culturas, explica o agrô­nomo Rainer Zielasko, que dirige a fazenda, será possível continuar o tra­balho de recuperação do solo da Espi­gão, esgotado após 20 anos da suces­são das lavouras da soja e trigo. Desde que assumiu a fazenda, há quatro anos, ele vem se esforçando para reduzir a compactação e aumentar o teor de matéria orgânica no solo. “A crise do trigo pode ter seu lado positivo se esti­mular a rotação de culturas e o plantio de adubos verdes”, diz Zielasko. Seu planejamento prevê que as áreas ocu­padas pela ervilhaca, que fixa boa quan­tidade de nitrogênio no solo, serão ocupadas no verão pelo milho, que precisa muito desse nutriente. Assim o investimento no inverno já poderá dar frutos na colheita de verão. Foto acima (Nódulos na raiz do feijão-de-porco).

Em todas as áreas de adubação verde da Espigão, uma parte é reservada à produção de sementes. Zielasko cola­bora com os experimentos dirigidos pelo Iapar – Instituto Agronômico do Pa­raná na estação experimental de Palo­tina, com o objetivo de aperfeiçoar a técnica de produção de sementes das várias espécies usadas para melhorar o solo. O objetivo do Iapar é estimular os usuários da adubação verde a ser auto-suficientes nesse campo. “A com­pra das sementes é o principal custo para o cultivo dos adubos verdes e, como o produtor não tem um retorno econômico imediato com esse plantio, é importante que busque reduzir seus gastos”, afirma Valdir Guerini, geren­te da estação do Iapar. Ainda mais porque os preços das sementes muitas vezes são elevados, já que há poucos centros de produção e a demanda vem aumentando.

É o caso da Crotalaria juncea: o crescimento rápido da planta torna difícil a colheita das sementes. O Iapar está tendo bons resultados com uma nova técnica para produzir semen­tes da planta. Trata-se, segundo Gueri­ni, de um processo de podas sucessivas que, além de facilitar a colheita, acaba multiplicando a quantidade de semen­tes que a planta produz. Foto acima (Crotalária, triturada e incorporada ao solo: nutrientes e cobertura).

O cuidado com a crotalária se expli­ca. O Iapar vem testando em Palotina um sistema de rotação em que ela en­tra como um plantio de entressafra entre a colheita da lavoura de verão e o plantio da de inverno. Ou seja, de­pois de colhida a soja ou o milho, é semeado este adubo verde. Em apenas 70 dias ela cresce o suficiente para produzir cerca de 9 toneladas de maté­ria seca por hectare, uma massa de decomposição lenta que permanece quase um ano na terra, afirma Guerini. Pode, então, ser incorporada e logo depois planta-se o trigo. Com o plantio tardio do cereal, preserva-se a lavoura do cereal do período mais crítico de geadas na região, segundo o acompa­nhamento feito pela estação de Paloti­na. E os benefícios da crotalária plan­tada na entressafra são sentidos tanto pelo trigo como pela cultura seguinte, principalmente se for o milho. 

 Na mão dos pequenos

Uma série de barreiras separa os pequenos produtores dos benefícios da adubação verde. Falta, em pri­meiro lugar, informação sobre as vantagens de cultivar essas plantas. E, entre os que as conhecem, mui­tos não têm dinheiro para bancar a compra de sementes. Em uma fa­zenda de 72,6 hectares em Votoran­tim, município próximo a São Paulo, trabalha-se sério para tentar saltar de uma vez esses dois obstáculos. Há cer­ca de dois anos funciona ali o Banco de Sementes Aratã, que cultiva principal­mente adubos verdes. O banco preten­de não só produzir sementes como também ensinar a pequenos produto­res da região como cultivar essas plan­tas de modo a aproveitar ao máximo seus benefícios. Foto acima (Reis e guandu: sementes e treinamento para os pequenos produtores).

“De início, os agricultores apre­sentam uma grande resistência aos novos cultivos. Mas os que experi­mentaram o plantio gostaram dos resultados”, afirma Antonio Marcos dos Reis, que orienta os trabalhos na fazenda. A idéia é fornecer sementes para os pequenos produtores que recebem treinamento sobre como fazer o cultivo. Eles assumem o com­promisso de produzir novas semen­tes, para repetir o plantio e para de­volução das emprestadas pelo banco. Assim, garante-se o fornecimento a novos grupos de agricultores.

O projeto é sustentado por uma associação não governamental, o Capide – Centro de Apoio a Pro­gramas de Integração e Desenvol­vimento. As plantas cultivadas até agora são a mucuna preta, o feijão­de-porco e o guandu, além do calo­pogônio. No plantio de inverno, fo­ram semeados a aveia, o nabo forra­geiro, o tremoço branco e o milhe­to. Para facilitar a utilização pelos lavradores, é dada prioridade a for­mas de plantio consorciado com as culturas comerciais, como a do ar­roz com calopogônio e do milho com o feijão-de-porco ou a mucuna. O agricultor pode assim receber os benefícios do adubo verde sem abrir mão da colheita que garante a ren­da da família.

Conheça algumas espécies de adubação verde

Aveia preta - Avena strigosa Schieb

Família: gramíneas – Climas: temperado e subtropical

Rústica, produz grande quantidade de massa verde mesmo em solos pobres. Mui­to eficiente na reciclagem de nutrientes. Diminui presença de patógenos no solo e melhora o rendimento especialmente da soja e do feijão.

Outros usos: alimento animal (forragem, feno)

Azevém - Lollium multiflorum Lam

Família: gramíneas – Climas: temperado e subtropical

Exige temperaturas frias no outono e inverno. A incorpora­ção de massa verde ou aplica­ção de herbicida deve ser feita na floração, 130 a 170 dias após a semeadura. Produz 20 a 30 toneladas de massa verde e de 2 a 6 toneladas de matéria seca por hectare.

Outros usos: forrageira 

CalopogônioCalopogonium mucunoides

Família: leguminosas – Clima: tropical

Muito rústica, tem crescimen­to inicial lento, mas, após cinco meses, desenvolve uma cama­da vegetal de 30 a 60 centíme­tros de altura. Fixa de 370 a 450 quilos de nitrogênio por hecta­re/ano. Incorporação no flores­cimento, por aração ou aplica­ção de herbicidas.

Outros usos: forrageira

CrotaláriaGrotalaria juncea

Família: leguminosas – Climas: tropical e subtropical

Tem rápido crescimento ini­cial e impede o desenvolvimen­to de invasoras. A planta chega a mais de 2 metros de altura e as raízes atingem 3 metros de profundidade até o florescimen­to (de 110 a 140 dias após o plantio).

Outros usos: produção de fi­bras e alimento animal

Ervilha forrageiraPisum sativum

Família: leguminosas – Climas: temperado e subtropical

Seu crescimento é rápido e em 60 dias chega a cobrir 70% da superfície do solo. É uma fonte de nitrogênio aproveitado especialmente por gramíneas como milho e arroz  Plantio pode ainda ser intercalado a culturas perenes.

Outros usos: alimento animal (forragem, silagem, feno)

Ervilhaca - Vicia sativa

Família: leguminosas – Climas: temperado e subtropical

Possibilita a incorporação de 108 quilos de nitrogênio por hectare ao ano, em média, e tem grande capacidade de re­ciciar outros nutrientes. Outra espécie, a ervilhaca peluda (Vi­cia vil/asa) é mais rústica e pre­coce, e, por isso, vem sendo bastante utilizada.

Outros usos: forrageira

Feijão-de-porcoCana valia ensiformis

Familia: leguminosas – Clima: tropical

Seu sistema radicular profun­do – chega a 3 metros de profundidade em 110 dias – asse­gura resistência à seca e melho­ra a porosidade do solo. Deve ser acamado com rolo-faca ou incorporado de 100 a 120 dias após o plantio. Inibe o cresci­mento da tiririca.

Outros usos: alimento animal

Girassol – Helianthus annuus L.

Família: compostas – Climas: temperado e subtropical

Excelente para a sanidade do solo, em rotação ou consor­ciação de culturas. Muito resis­tente à seca e suporta tempe­raturas elevadas. Apresenta de­senvolvimento inicial rápido e inibe o desenvolvimento de in­vasoras.

Outros usos: industrial, alimen­tação humana e animal

Guandu ou anduCajanus cajan

Família: leguminosas – Climas: tropical e subtropical

É pouco exigente quanto à fertilidade do solo. Suas raízes penetram em solos compactos e adensados e tem grande ca­pacidade de reciclar nutrientes, além de liberar um ácido que facilita a absorção do fósforo pelas plantas.

Outros usos: forrageira e ali­mento humano (grãos)

Labe-Iabe – Dolichos lablab

Família: leguminosas – Climas: tropical e subtropical

Produz, em média, 40 t de massa verde por ha. Uma tone­lada de matéria seca contém 18 kg de nitrogênio. Em 150 dias, suas raízes chegam a 3,4 metros de profundidade. O manejo ou incorporação devem ser feitos no florescimento (140 a 180 dias do plantio).

Outros usos: alimento animal

LeucenaLeucaena leucocephala

Família: leguminosas

Espécie perene. Variedade que vai da arbustiva à arbórea. Pode produzir 100t/ha/ano de massa verde, usada como cobertura morta ou incorporada. No plantio intercalar a outras culturas, fixa 400 a 1000kg/há/ano de nitrogênio ao solo.

Outros usos: forrageira, para lenha, carvão, madeira

Mucuna anã – Stizolobium deeringiana

Família: leguminosas – Climas: tropical e subtropical

Produz menos massa que as mucunas cinza (St. Cinereum) ou preta e, por isso, é recomendada para plantio entre fileiras de culturas perenes e mesmo anuais, como o milho. Tem a vantagem do ciclo curto, com corte ou incorporação em 90 dias após semeada.

Outros usos: alimento animal

Mucuna preta – Stizolobium aterrimum

Família: leguminosas – Climas: tropical e subtropical

Muito rústica, cresce bem em solos ácidos e pobres em fertili­dade. Em áreas dos cerrados chega a produzir 40 toneladas por hectare de massa verde, com uma composição rica e variada de nutrientes. Impede a multiplicação da população de nematóides.

Outros usos: alimento animal

Nabo forrageiro – Raphanus sativus L.

Famílía: crucíferas – Climas: temperado e subtropical

Rústica, tem crescimento rá­pido e dificulta a infestação de invasoras. Tem raiz pivotante profunda e grande capacidade de reciclagem de nutrientes, es­pecialmente nitrogênio e fósfo­ro, favorecendo a cultura pos­terior, principalmente o milho e o feijão.

Outros usos: alimento animal

Soja pereneGlycíne wightii

Família: leguminosas – Climas: tropical e subtropical

De crescimento inicial lento, produz de 20 a 40t/ha/ano de massa verde, com boa capaci­dade de fixar nitrogênio. É reco­mendada como cobertura per­manente intercalada a culturas perenes. Mas exige solos com boa fertilidade.

Outros usos: forrageira (con­sórcio com gramíneas)

TremoçoLupinus sr.

Família: leguminosas – Climas: temperado e subtropical

O sistema radicular penetra até mais de 2 m de profundida­de e fixa até 150 kg/ha de nitro­gênio no solo. O tremoço bran­co é mais resistente ao calor e o azul o mais exigente em frio. O amarelo dá bem no Sul do país.

Outros usos: alimentação ani­mal e humana

Fonte: Revista Globo Rural – Junho de 1994 – Texto: Odilon Guimarães e colaboração de Gislene Silva – Fotos: Oswaldo Maricato, Amilton Vieira e Ernesto de Souza.

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54 pensamentos sobre “Adubação Verde

  1. Os artigos publicados sao bons mais acho que podem melhorar mais no aspecto especificidede sobretudo tipo de solo e cultura que se adapte em tais condicoes nem todos sabemos quais culturas adaptam-se a determinados solos

  2. Prezado Sr.
    Estou a procura de semente de Ervilhaca Peluda. Poderia me informar onde posso adquirir.
    Atenciosamente
    Roger Ramalho

  3. Muito boa a matéria exelente estão de parabens, foi através desta matéria k fiquei sabendo mais dos custos de produção e a difusão do uso das mesmas, acredito k aki p/ regiao do mato grosso seria o ideal p/ começãr a recuperar as áres de APP. Estou realizando um trabalho com leguminosas tropicais na entrelinha do a 1,5 ano e encontrar essas informações estimula a continuar pesquisando. Abraços.

  4. Como adubação verde eu utilizo o feijão de porco e a crotalária.
    Ambos eu encontrei em um terreno baldio perto de casa graças às fotos desse excelente artigo.
    A crotalária não cresce como a da foto, no máximo 1 metro de altura.
    Plantas como alface e tomate não se desenvolviam como desejado. Depois que passei a utilizar a adubação verde o resultado foi satisfatório.
    Sinceramente não sei explicar por qual motivo essas plantas não iam bem como as outras (vagem, maracujá, abóbora, milho, jiló, berinjela, pimentão, chuchu, quiabo, couve, cenoura, nabo, beterraba, repolho).
    Planto o feijão de porco e abóbora em consórcio com o milho. Percebi que o feijão de porco é um excelente atrativo para as pragas do milho.
    Carunchos, brocas e vaquinhas atacam o feijão, mas raramente se encontra alguma espiga ou folha atacada por essas pragas.
    Gostaria de pedir uma dica aos amigos do blog, tenho muita dificuldade em produzir sementes de cenoura e beterraba.
    Se alguém tiver alguma dica, como época certa para o plantio ou algum manejo especial para produção de sementes ficaria muito agradecido.
    Abraços.

    • Wagner, o feijão de porco produz excelente resultado. A minha região aqui na Bahia é também muito quente e úmida. Experimente.

    • Olá Carla.
      O texto desta página foi retirado da Revista Globo Rural de junho de 1994. Para fazer contato com o CAPIDE terá que fazer uma busca na internet.
      Att. Gardel

  5. Excelente artigo, principalmente, no que se refere ao melhoramento das pastagens. Sou da Região norte-nordeste do Rio Grande do Sul.

  6. olá, minha mensagem é para o FERNANDO TORRE..
    FERNANDO, gostaria de saber se você é filho de D. TEREZINHA M J AGUIAR.
    SE SIM, POR FAVOR, entre em contato com Flavia, mi9nha neta, no e-mail l.fteles@hotmail.com , fui muito amiga dela em nossa juventude, gostaria muito de ter noticias.
    desde ja agradeço.
    MARIA DE LOURDES C NOGUEIRA

  7. Olá,aki é o Felipe Estou cursando 3ºano de tecnico agricola,e presizava de varias saber tudo sobre mucuna:Quando plantar prq plantar,quantidade de nitogenio que fixa no solo por hectare,quantidade de materia organica,qual a adubação necessaria,prae se tiver algumas imagens tambem;
    Por favor me responda, conto com vc.
    muito obrigado

  8. Boa noite. O que significa: Deve ser acamado com rolo-faca ou incorporado de 100 a 120 dias após o plantio. Planta feijão de porco.
    Obrigado

  9. Parabéns pelas pesquisas e pelo blog, é de gente assim que este Brasil precisa, temos que preocupar em desenvolver técnicas inovadoras e que os agricultores, principalmente os pequenos, possam melhorar a qualidade da terra sem uso de Adubos e Agrotóxicos, que além de poluir e contaminar nosso meio ambiente, são onerosos para o produtor rural e porta de entrada de Cartéis internacionais,nacionais que querem dominar nossa agricultura.
    O problema do Agricultura no Brasil não é quantidade é QUALIDADE, agricultura organica é menos produtiva mas muito, muito mais saudavel e dá emprego pra muita gente.e melhora a divisão que riquesas neste país, que é rico e a maioria da população é Carente.

  10. Sinceiramente falando voces mostraram que quem sabe faz ao vivo, asim como, nao basta falar, mas sim, mostrar como as coisas funcionam e devem funsionar. eu acredito que estas informacoes vao mudar muito o projecto que tenho numa das areas do meu pais, Mozambique e gostaria que continuassem com o mesmo ritmo. Agredoxo imenxo

  11. Amigo, boa noite. preciso da sua ajuda,tenho uma pequena propriedade rural e nesta regiao, as terras sao mais montanhosas e numa parte mais alta,ha uma erosao nao muito grande, porem, ja fiz a adubaçao com esterco de curral dentro de sacos plasticos e no periodo das chuvas sanaria o problema ,mas nada adiantou.gostaria de plantar uma semente de adubo verde e uma leguminosa que adequasse a esse terreno. Esta parte de terra e muito pobre. ja plantei o humindicula, o decumbens e nenhuma plantaçao ate hoje conseguiu formar nesta area.penso em plantar este ano , no periodo das chuvas o feijao andu. estou certo?o que vc me indicaria para resolver essa situaçao.

    • Olá Ivan.
      Conheço muito pouco do clima do serrado, só sei que são 6 meses de chuva seguidos por 6 meses de seca. Sugiro que consulte um técnico em agronomia de sua região, pois se seu interesse é colher as sementes é muito importante que a colheita seja feita numa época de seca.

  12. olá, faço engenharia agronômica na Univasf, e estou pagando a matéria de Agroecologia, tenho um seminário para fazer a respeito de adubos verdes de inverno e gostaria de saber se todas estas especies citadas podem serem utilizadas como adubo verde de inverno? se caso não quais são?

    • Olá Isa. No texto inicial há uma descrição específica sobre adubação de inverno, onde as plantas citadas correspondem a esta estação. Esta publicação foi retirada de uma revista Globo Rural junho de 1994, sugiro que consulte outras fontes para maiores informações.

  13. presados senhores do sitio curupira, preciso de sementes de ervilhaca peluda para plantar consorciada com centeio e aveia preta em 18 alqueires, quero saber se os senhores possuem a mesma ou podem me indicar algum fornecedor, o preço,e se podem entregar logo, maiores informações fico agradecido celso alexandre.

  14. Somos de Sorocaba e gostaria de obter informações de alguns itens da adubação verde, como adquirir a semente ? Gostaria de lhe fazer uma visita, tenho urgência !
    Aguardo resposta.
    Grata Luana e Devalti Geraldi

    • Olá Luana.
      Não comercializamos sementes para adubação verde, mas posso indicar a agropecuária que costumo comprar quando necessito (http://www.herbivale.com.br/lojavirtual/). Ela fica logo na entrada de Santo Amaro da Imperatriz vindo da BR 101.
      Para visita estamos recebendo de segunda a sexta no horário da tarde. Caso tenha interesse faça contato pelo e-mail poruga@terra.com.br que acertaremos os detalhes.
      Att. Gardel Silveira.

  15. Consegui 2 kg de semente de crotalária par fazer um pequeno plantio em meu terreno no Ribeirão do fogo. Vou iniciar um mini projeto solidário de várias plantas, de uso conforme está escrito em Gêneses e Êxodo para fazer um uso perfeito no controle do mosquito da Dengue e outras no controle de várias enfermidades. Faço um agradecimento sem medida para o meu Criador.

  16. Olá Sergio, achei muito interessante o artigo, tenho um sítio em Porto Feliz com terra mista, fiz um pequeno plantio de milho mas não aproveitei quase nada, então, pensei em recuperar este solo, foi aí que pesquisei. e quero tentar através de uma solução ecológicamente correta, buscar uma solução, por favor preciso de informções, será que você pode me ajudar, será que posso começar com o plantio da Crotália? Obrigada e aguardo sua resposta. Um abraço. Neuza Orlando.

  17. I have got the hang of it and I am running with it.
    As the student gets older and progresses through school they will have more and more work so storage space
    is essential. Also check the minimum clearance from the
    mounting point to the closest wall surface.

  18. Parabéns ao Sítio Curupira pelo site. Utilizo adubação verde há muito tempo e os resultados são ótimos. Outra leguminosa que faz uma excelente cobertura é a puerária, o complicado é o preço da semente no início que é muito cara.

  19. Onde consigo comprar leguminosas preciso para meu trabalho de conclusao de curso ? Preciso de poucas sementes de leguminosas mucuna-preta,ervilhaca,crotalarea,feijao gunadu?

  20. Ola Pessoal do Sitio Curupira,
    descobri seu site recentemente e estou gostando muito.
    Aonde fica o sitio?
    Por favor gostaria de um email particular para contata-los.
    abraço
    Tati

  21. Caros amigos do Sítiocurupira. Ainda não li todos os textos deste blog, mas gostei muito do que li. Preciso preparar um pequeno espaço de terra utilizando feijão-de porco. Vocês conhecem lojas em São Paulo, SP, onde possa comprar estas sementes? Obrigado.
    Antonio

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